Hoje estava a ver um debate aceso num fórum ambiental entre vegetarianos e não vegetarianos. Uns diziam que um verdadeiro ambientalista tem de ser vegetariano, e outros que não. Uns que só os vegetarianos é que se preocupavam com os animais, e os outros que as plantas também são seres vivos, que assim era melhor não comermos nada. Espanta-me bastante o facto de as pessoas estarem constantemente a abordar os temas de uma forma superficial, sem irem ao fundo da questão. Só falta dizer que os leões são maus para o ambiente porque comem carne.
O ambiente é um sistema global complexo, a solução não passa por soluções simplistas, como: Vamos todos tornar-nos vegetarianos! O que é realmente importante? Comer vegetais? Ou começar a reparar de onde vem aquilo que comemos? Por exemplo, a soja. Muitas pessoas não sabem que milhares de hectares da selva amazónica têm sido destruídos para a plantação de soja. Quem come soja proveniente dessas plantações, está na realidade a contribuir para a destruição da floresta, e com ela todos os seres vivos que dela dependem. Mas também é verdade que o mesmo tem sido feito para criar pastagens para o gado.
Por isso, eu acredito que não é uma questão do que se come, mas de onde vem aquilo que se come. Cada vez mais procuro saber a proveniência das coisas que consumo. Cada vez mais faço perguntas do tipo: Será que foram usados muitos pesticidas ou antibióticos no alimento que estou a comprar? Será que a carne que compro vem de produtores que tratam os seus animais condignamente? Será que o produto é local, ou veio do outro lado do planeta, gastando toneladas de combustível para chegar às minhas mãos?
Este tipo de questões têm-me levado a ter uma alimentação de maior qualidade, mas também necessariamente mais cara, visto que o preço final reflecte o custo real daquilo que estou a comprar (vejam Story of Stuff, se não percebem porquê). Também tem levado a prescindir de determinadas frutas e legumes fora de época. Mas acredito que é essa a forma justa de fazer as coisas. Afinal de contas, se não cuidarmos do ambiente, um dia ele deixará de cuidar de nós...
Eu sempre achei estúpido estar a transportar-se água e alimentos centenas e/ou milhares de Km, quando existem fornecedores/produtores de produtos equivalentes muito mais perto de nóis.
Aliás, há um movimento qualquer (nao me lembro agora o nome) cujos membros fazem questao de comer apenas as coisas produzidas num raio de X km à sua volta, e de forma ecologicamente correcta e sustentável.
Outra coisa ainda mais camuflada são os testes de produtos, em animais. Os quais, todos nós consumimos sem a mínima ideia. Ser, ou tornar-se vegetariano, segundo a concepção do "coitadinho do anima", é como disseste uma questão superficial e simplista.
também concordo. (deve ser por isso que não sou vegetaria LOLOL). Bom, na verdade, o que falas Nuno seria uma junção entre o Comércio Justo e a Produção Biológica. Parece-me viável por acaso. Além de que, pelo menos em Lisboa, comprando nos mercados biológicos a comida sai quase ao mesmo preço dos produtos não biológicos nacionais dos Hiper. E claro, com muito melhor qualidade.
...Não há como a sopinha com couves da horta da avó ou uma salada vinda directamente de lá.
Gonçalo
2008-11-29 15:47:39
Ainda sobre a soja (mas também sobre outros vegetais), há que dizer que grande parte dela são AGM (Alimentos Geneticamente Modificados), o que também não me parece uma solução ecológica nem sustentável a longo prazo.
A questão principal é: será possível saciar a fome de todos sem a produção em massa? As pessoas que ganham pouco não têm outra hipótese senão comer frango de aviário, camarão de viveiro, etc. Ou isso ou... batata com batata.
Nuno Barreto
2008-12-03 18:00:46
Se não se pode produzir comida suficiente de forma sustentável, então se calhar existem ser humanos a mais. Ou então será caso que muitos terrenos de cultivo estão abandonados, porque em vez de se comprar produtos locais, vai-se comprar produtos do outro lado do oceano?
Em relação a isso dos terrenos penso que é bem possível de ser verdade. Mesmo assim parece-me que não será possível alimentar todo o mundo sem práticas de produção em massa. Além disso temos que considerar os custos de produção e o rendimento por hectare. Acho que é impossível voltar aos métodos antigos. Pode-se usar métodos biológicos se estes não fizerem cair a produção, caso contrário só para lojas gourmet.
P.S. muitas filhoses, sonhos e rabanadas.
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"Muitos buscam o complexo, mas a perfeição está naquilo que é simples."
Cristão, informático, utilizador de Apple, amante da natureza (especialmente aves), amante do Japão, leitor compulsivo, pacifista, e revolucionário por natureza.
Aliás, há um movimento qualquer (nao me lembro agora o nome) cujos membros fazem questao de comer apenas as coisas produzidas num raio de X km à sua volta, e de forma ecologicamente correcta e sustentável.
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P.S. muitas filhoses, sonhos e rabanadas.
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