Se formos analisar a doutrina ensinada nas igrejas modernas, percebemos que a maioria dessa doutrina está focada no que acontece após morrermos. Não acreditam?
O papel principal da igreja é visto como o evangelismo. Ou seja, conversão dos descrentes para que em vez de irem para o Inferno quando morrerem, irem para o céu. Esta é a mensagem principal que é passada. Salvem-se das chamas do inferno, basta fazerem uma oração, e a partir daí são cristãos, e já têm bilhete para o céu.
A vida após a morte, e em particular a existência do inferno, são usadas como a razão e incentivo base para o evangelismo, para as missões, para o "portarmo-nos bem". Até são muitas vezes usadas para incentivar a frequência assídua aos cultos/missas, e ao levantamento de ofertas/dízimos.
É pena que assim seja. O foco que Jesus nos deu foi bem diferente: Amai-vos uns aos outros e a Deus acima de todas as coisas. Ide e fazei discípulos. Deve ser esse o nosso foco e a nossa missão. Em vez disso andamos a apelar ao sentido egoísta das pessoas, para que se livrem do inferno, inferno esse que muito provavelmente nem existe...
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O meu problema está com a expressão "salvador pessoal", que me parece muito baseada no individualismo moderno, e pouco baseada nas Escrituras. Mas se calhar essa é apenas uma maneira de falar.
O foco dos Evangelhos não é na salvação do invivíduo, mas sim no crescimento do reino de Deus, no qual devemos participar.
A salvação não é individual no sentido em que primeiro ela não depende apenas do indivíduo. E segundo, porque ela é operada em todos nós para o benefício de todos, e não apenas do indivíduo.
O único aspecto individual da salvação é a decisão de cada pessoa em seguir Cristo, mas essa decisão é feita num contexto plural: Dentro de uma comunidade, e não dependente apenas do indivíduo.
O livramento do inferno é uma consequência do facto de pertencermos a este Reino... O reino dos céus nunca poderá ser anunciado como um escape!
Eu creio que passamos a "viver esse mesmo reino" no momento em que se dá o ARREPENDIMENTO e a aceitação da oferta divina. Portanto, de forma alguma posso apenas "focar" algo futuro... tenho que realçar o presente, ou seja, uma vivência diária com Cristo AQUI (e certamente na eternidade), que se expressará em amor. Esse mesmo amor levar-nos-à a anunciar a outros o reino dos céus.
Um abraço!
Jaime, como sempre, disseste-o muito bem :)
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